Comunidade de destino

“Existe uma bela melodia que se chama: “Liberdade que penso, que preenche o meu coração”. Uma vez escrevi com relação a isso um pequeno aforismo: o cavalo, que pressente o ar da liberdade, cai imediatamente na cilada”. Quando é que respiramos mais o ar da liberdade? Quando nos apaixonamos. E qual é a cilada? É algo pequeno? Ou é algo grande? É algo poderoso é, por assim dizer a comunidade do destino.

Nós somos, do jeito que somos, o destino para outros. E outros se tornam, do jeito que são e porque são do jeito que são, o nosso destino. Talvez vejamos isso de maneira mais intensa no relacionamento de casal. Por que nos sentimos tão atraídos um pelo outro? Nós nem o conhecemos . Contudo, já existe uma comunidade de destino – isto é, entre aquilo que aconteceu entre a minha família e aquilo que ainda deve ser colocado em ordem, talvez até muitas gerações atrás – e seu destino e aquilo que talvez ainda tenha que ser colocado em ordem em sua família, muitas gerações atrás.

Somente aquele que respeita todos os destinos da mesma maneira pode saber das forças poderosas que atuam além do bom e do mau. Aquele que as olha e eventualmente é atingido por elas deixa-se ser tomado a serviço delas”.

__ Bert Hellinger, sobre a Comunidade de Destino disponível em “Ordens da Ajuda”.

Benção

“A benção vem de cima e flui para baixo. Ela vem para nós a partir de alguém que está acima de nós. Primeiro são os nossos pais. Quando os pais abençoam seus filhos estão profundamente ligados ao fluxo da vida. A sua benção acompanha a vida que passaram aos seus filhos. Como a vida, a benção também vai para muito além dos pais. Como a vida, a benção é também passar adiante algo sagrado que nós mesmos já recebemos primeiro.

A benção é um sim para a vida. Ela a proteje, multiplica-a, acompanha-a. Ela libera o abençoado e o deixa com o que é seu, em sua plenitude. A benção e a plenitude fluem através deles a outros: por exemplo, a um parceiro, aos próprios filhos e aos amigos. E flui para uma ação que apóia a própria vida de uma forma abrangente e poderosa”

__ Bert Hellinger, em “Ordens da Ajuda”.

Sobre viagens, inspiração, movimento, deslealdade, consciência pesada e mudanças

Já disse uma vez que não viajo para conhecer lugares, mas para encontrar pessoas. Viajo para conhêce-las. Para observá-las como tesouros a serem desvendados.

Nessa tentativa, sempre há a alegria dos encontros e há também encontros com a alegria. Há surpresas, imprevistos e sobretudo, movimento. Cores novas, sons diferentes, novas esquinas e caminhos convidativos.
Observar como outras pessoas vivem e conduzem suas vidas pode enriquecer as nossas.
É quase como se assim, na observação de como o outro faz, pudéssemos nos colocar em dúvida. E na dúvida há movimento. Diferente da certeza que engessa, a dúvida abre possibilidades, é melódica e sinuosa como seu próprio ponto (?) – de interrogação! De investigação!
Por isso, sair da rotina faz a gente pensar…… é inspiração! Ao deixar o conhecido, o sabido, o-já-visto-tantas-vezes, uma porção de ar novo e uma vontade de expandir e ampliar nos são automaticamente presenteadas.
Vontade que mistura-se com outra vontade: de ver a vida acontecer.
Desejo de ser a vida acontecendo.
Ganas de ser a via da vida. O canal pelo qual, ela, a grande força, jorra vitalidade e energia.
Daí, a satisfação de poder ousar e arriscar movimentarmo-nos quando, talvez, a prescrição mais usual é permanecer. Quando o estático convida muito mais que o dinâmico. Quando a inércia grita por manutenção e a vontade de ficar parece tão mais normal. E aparece ostensivamente com um convite sedutor de permanência.
Convite, que por mais sedutor que seja, contrasta com a lição básica de sobrevivência que instintivamente nos impele à impermanência e à mobilidade.
Movimento e criatividade andam junto conosco quando saímos por aí, “de camisa listrada” no inverno ou no verão, de mãos dadas com alguém ou sozinhos. Longe ou perto de casa.
Sentimos isso no corpo e na alma. Na mente! Tantas vontades e projetos!
São, estes, então, os momentos oportunos para revisarmos e revisitarmos nossas posturas diante da vida. Uma linda chance. Ideal para assumirmos novos compromissos com os nossos destinos.
Chance para avaliarmos nossas oportunidades de ousar na desconstrução de protocolos, dos manuais, das já reincidentes fórmulas. Aquelas fórmulas que nos neurotizam e trazem a sensação da repetição, de que tudo acontece mais uma vez, mesmo quando tentamos fazer diferente. Aquela repetição que faz sentir mais uma vez a dor, velha conhecida, herdada. A dor da qual necessitamos nos libertar, para deixar mais possibilidades de sucesso para quem vem depois de nós.
Para isso, no entanto, precisamos decidir-nos pela deslealdade ao que quer permanecer estagnado, parado, que refuta o movimento.
Falo aqui da temida decisão pela desleal consciência pesada! A consciência pesada que pode ser a grande oportunidade de amadurecimento, já que somente às crianças fica reservado o direito à inocência.
A deslealdade sagrada, que respeita tudo que foi do jeito que foi, mas pede autorização para fazer diferente.
Deslealmente motivados, reverente e respeitosamente, nos posicionamos, olhamos para nossos ancestrais e dizemos: “Por favor, queridos, me olhem com bons olhos se eu faço diferente!”
Dessa forma, podemos “viajar”, voar como se fôssemos pássaros, mudar, fazer e refazer, porque quem estiver lá, atrás de nós, nos olha com alegria e entusiasmo e nos diz: “Segue! Eu lhe libero. Toma a sua vida e faz dela algo de muito bom, para que assim a dor já sentida tenha valido a pena!”

Boas viagens! Bons movimentos! Boas mudanças!

Os Jogadores

Experimentamos a consciência, às vezes, como se ela fosse um indivíduo único. Entretanto, na maioria dos casos, ela mais se assemelha a um grupo onde diversos representantes perseguem diferentes objetivos, com a ajuda de diferentes sentimentos de inocência e culpa, e procuram se impor de diferentes maneiras. Nisso, eles se apóiam ou se questionam mutuamente, pelo bem do todo; não obstante, mesmo quando se contrapõe, servem a um ordem superior. À semelhança de um general que, em diversas frentes, com diferentes tropas, em terrenos diversos, com diferentes meios e táticas, busca diferentes êxitos, essa ordem faz com que, pelo bem de um todo maior, em cada frente só se obtenham êxitos parciais. Por essa razão só se consegue a inocência em parte.

Assim na maioria das vezes, culpa e inocência comparecem juntas. Quem procura agarrar a inocência toca também a culpa, e quem é inquilino da culpa encontra a inocência como sublocatária. A a culpa e a inocência também trocam trajes com muita frequência, de modo que a culpa vem vestida de inocência, e vice-versa. Então as aparências enganam e só os efeitos mostram o que é real.

Vou lhes contar uma história a respeito.

Os jogadores

Eles se apresentam como adversários. Então se sentam frente a frente e jogam no mesmo tabuleiro, com diferentes figuras e complicadas regras, lance por lance, o mesmo jogo real.

Ambos sacrificam a seu jogo, diversas figuras e tensos se mantém em xeque, até que o movimento cessa. Quando não há mais saída, a partida termina. Então trocam de lado e de cor e recomeça o mesmo jogo, apenas uma outra partida.

Mas quem joga muito tempo, e muitas vezes ganha, e muitas vezes perde, torna-se, em ambos os lados, um mestre.

__ Bert Hellinger, em “No Centro Sentimos Leveza”.

Sobre o Destino: o Amor Fatal

O destino vai ao nosso encontro com todos os seres humanos com os quais nos relacionamos. Cada um fica sendo para nós, o destino. E nós para ele. Portanto, amor fatal significa que eu amo cada destino que vem ao meu encontro através do outro, porque me enriquece através dele, me desafia e me toca, como também o destino que enriquece o outro através de mim, o desafia e muitas vezes também o toca. Através disso todo encontro com outros seres humanos fica sendo mais do que um simples encontro entre ele e eu. Torna-se um encontro de destinos, que atuam através dele e através de mim: que causa felicidade ou dor, a serviço do crescimento ou da limitação, dando a vida ou tirando-a.

Portanto, o amor fatal é o último amor, que exige o último, que dá o último e toma o último. Nele crescemos para alem de nós.

O que isso significa individualmente?

Se um outro do meu ponto de vista, quer fazer algo mau, terrível, não importa de qual maneira, a minha primeira reação a isso é que eu quero fazer algo de mau para ele e penso numa compensação, no sentido de vingança. Mas se olho para ele como sendo levado pelo seu destino e reconheço que este destino se torna também o meu destino através dele, então não me coloco mais perante a ele apenas como um ser humano. Eu encaro o destino e o amo. Nesse momento me submeto a um poder fatal, me deixo tocar por ele, fico purificado das coisas mesquinhas, fico tocado e fico no amor em tudo.

Inversamente posso me tornar para o outro, de alguma forma, em destino que fere, que o limita e que o obriga à despedida e separação. Então resisto à sensação que age por egoísmo ou desejos maldosos, porque estou entregue ao destino dele e meu. Eu também preciso amar este destino como ele é e fico assim através desse destino puro e com a mesma validade.

Quem ama seu destino assim, seu próprio e o do outro e sabe que ele sempre se tornará em próprio destino para ele para mim, está em sintonia com tudo como é. Está tanto conectado quanto direcionado porque é um amor fatal, o seu amor tem grandeza e força.

__ Bert Hellinger, em Ordens da Ajuda

Separação do Casal à luz das Constelações Familiares

Uma separação – por mais consciente e bem resolvida sempre traz ao casal a dor da parceira desfeita. Quando há filhos na relação, a forma como o homem e a mulher procedem diante do fato, coloca as crianças num processo mais ou menos traumático. Sobre o assunto, nós separamos algumas pontuações de Bert Hellinger, contidas na obra “Ordens do Amor”, que podem ajudar na condução do movimento de separação do casal.

“Tomem como princípio que as separações ocorrem sem culpa. São via de regra, inevitáveis. Quem procura pelo culpado ou pela culpa, em si ou no parceiro, recusa-se a encarar o inevitável. Procede como se pudesse ter havido uma outra solução, se…E não é verdade. Separações são consequências de envolvimentos, cada um está enredado a sua maneira. Jamais procuro saber quem ou que poderia ser o culpado pelo fato. Digo a eles que acabou e que agora enfrentem a dor por ter acabado, apesar das boas intenções iniciais. Quando enfrentam a dor, conseguem separar-se em paz e resolver de comum acordo o que precisa ser resolvido. Cada um fica livre para o próprio futuro”.

“Quando algo dá errado entre os pais, os filhos buscam a culpa em si mesmos. Preferem ser culpados a atribuir a culpa aos pais. Então ficam aliviados quando os pais lhes dizem: “Nós, como casal, decidimos nos separar. Mas continuamos a ser seus pais e vocês nossos queridos filhos”.

“Quando os pais se separam e os filhos perguntam o porque deve-se dizer a eles: “Isso não diz respeito a vocês. Nós nos separamos mas continuamos sendo seus pais. Pois a relação de paternidade ou de maternidade é inseparável. Em casos de divórcio, acontece com frequência que os filhos são confiados a um dos pais e tirados do outro. Ora, os filhos não podem ser tirados dos pais. Mesmo após o divórcio, estes mantém integralmente os seus direitos e deveres de pais. O que se desfaz é a relação de parceria. Da mesma forma, não se deve perguntar aos filhos com quem querem ficar. Caso contrário, serão forçados a decidir entre seus pais, a favor de um e contra o outro. Isto não se pode exigir deles. Os pais devem combinar entre si e então dizer-lhes como isso se fará. Mesmo que os filhos protestem não precisaram decidir-se entre os pais”.

“Após uma separação, o melhor para o bem dos filhos é que o casal continue a cultivar nas crianças o amor original que inicialmente sentiu pelo parceiro, seja no que for que ele tenha se transformado depois. Volta-se ao início do relacionamento que, para a maioria dos casais foi um tempo abençoado, um tempo de intimidade. Com essa lembrança é possível contemplar os filhos, mesmo após a separação”.

Honrar e Agradecer

Tomar o que me é dado
Segurá-lo com respeito nas mãos,
Acolhê-lo dentro de mim,
Em meu coração,
Até que percebo internamente:
Agora é uma parte de mim.Agradecer é também:Aplicar o que me foi dado
E se tornou uma parte de mim
Numa ação que permita a outros
Alcançar também
O que me enriqueceu

Só então o que me foi dado
Alcança sua plenitude.”

“Agradecer me torna grande, pois quando agradeço tomo algo de outros como um presente. Isso me enriquece, porque o recebo. Ao mesmo tempo, o que recebo agradecido não pode ser perdido por mim. O agradecimento me permite conservá-lo e aumentá-lo. Ele atua como o sol e a chuva morna atuam sobre uma planta jovem. Ela floresce.
 O agradecimento une e faz com que nossos relacionamentos floreçam pois, de bom grado, se dá a quem agradece. Por seu lado, quem recebe agradecido torna-se interiormente aberto e não pode deixar de dar e passar adiante o que recebeu com graditão. Assim, o agradecimento nos torna felizes e enriquece a ambos.
Quem agradece, honra o que lhe foi dado e, simultaneamente, honra aqueles que lhe presentearam. Assim, o agradecimento engrandece a todos: a mim, a dádiva e ao doador.”
__ Bert Hellinger, em “Pensamentos a Caminho”.

A Volta

Alguém nasce dentro da sua família, da sua pátria, da sua cultura. Desde criança ouve falar de seu modelo, professor e mestre, e sente um desejo profundo de tornar-se e ser como ele.

Junta-se a pessoas que têm o mesmo propósito, disciplina-se por muitos anos e segue seu grande modelo, até tornar-se igual a ele – até que pensa, fala, sente e quer como ele.

Entretanto, julga que ainda falta alguma coisa. Assim, parte para uma longa viagem, buscando transpor talvez uma última fronteira na mais distante solidão. Passa por velhos jardins, há muito abandonados, onde apenas continuam florescendo rosas silvestres. Grandes árvores dão frutos todos os anos, mas eles caem esquecidos no chão porque não há quem os queira. Daí para frente começa o deserto.

O viajante é logo cercado por um vazio desconhecido. Para ele, todas as direções se confundem, e as imagens que esporadicamente surgem diante dele são logo reconhecidas como vazias. Caminha ao sabor dos implusos. Quando já tinha perdido, há muito tempo, a confiança nos próprios sentidos, avista diante de si a fonte. Ela borbulha do sol e nele imediantamente se infiltra. Porém, até onde a água alcança, o deserto se converte num paraíso.

Olhando em volta, o viajante vê dois estranhos se aproximarem. Tinham procedido exatamente como ele. Seguiram seus próprios modelos até se tornarem iguais a eles. Partiram igualmente para uma long viagem, buscando transpor talvez uma última fronteira , na solidão do deserto. E, como ele, encontraram a fonte. Juntos, os três se curvam, bebem da mesma água e acreditam que estão perto de atingir a meta. Depois, dizem seus nomes: “Eu me chamo Gautama, o Buda”. “Eu me chamo Jesus, o Cristo”. “Eu me chamo Maomé, o Profeta”.

Então chega a noite, e acima deles brilham as estrelas, como sempre briharam, extremamente distantes e silenciosas. Os três se calam. Um deles sabe que está mais próximo do grande modelo do que jamais estivera antes. É como se pudesse, por um momento, pressentir o que Ele sentira quando conheceu a impotência, a frustração, a humildade. E como deveria sentir-se se conhecesse igualmente a culpa. E julgou ouvi-Lo dizer: “Se vocês me esquecessem eu teria paz”.

Na manhã seguinte ele retorna fugindo do deserto. Mais uma vez, seu caminho o leva por jardins abandonados, até que chega a um jardim que lhe pertence. Diante da entrada está um velho, como se estivesse esperando por ele: O velho diz: “Quem vai tão longe e encontra, como você, o caminho de volta, ama a terra úmida. Sabe que tudo o que cresce, morre, e, morrendo nutre a vida”. Sim, responde o outro, “eu concordo com a lei da terra”. E começa a cultivá-la!

Texto “A Volta”, extraído da obra “No Centro Sentimos Leveza”, de Bert Hellinger

A Pousada

Alguém caminha pelas ruas de sua terra natal. Tudo aí lhe parece familiar. Acompanha-o uma sensação de segurança e também de leve tristeza. Pois muita coisa lhe pareceu oculta, e repetidas vezes ele bateu em portas fechadas. Algumas vezes teria preferido deixar tudo para trás e partir para bem longe dali. Mas algo o detinha, como se lutasse com um anjo desconhecido e não pudesse livrar-se dele antes de receber sua bênção. E assim se sente preso, sem saber se avança ou recua, se parte ou fica.

Entra num parque, senta-se num banco, reclina-se, respira fundo e fecha os olhos. Abandona a longa luta, entrega-se à força interior, sente que se acalma e cede como um junco ao vento, em sintonia com a variedade, o amplo espaço, o longo tempo.

Vê-se como um casa aberta, onde podem entrar todos os que quiserem. Cada um que chega traz algo, permanece algum tempo e parte. Assim, há na casa um constante chegar, trazer, ficar – e partir. Quem acaba de chegar traz algo novo, envelhece enquanto fica. E quando chega o momento, parte.

A essa casa aberta também chegam muitos desconhecidos, esquecidos por muito tempo ou excluídos. Eles também trazem algo, permanecem algum tempo e se vão. Também chegam os maus elementos, que preferiríamos expulsar de casa. Também eles trazem algo, se acomodam, permanecem algum tempo e se vão. Cada um que chega encontra outros que chegaram antes ou que chegam depois dele. Como são muitos, todos precisam compartilhar. Quem tem seu lugar, também tem seu limite. Quem deseja algo, também precisa acomodar-se. Cada um que vem também pode evoluir enquanto fica. Ele veio porque outros se foram, e irá embora quando outros vierem. Assim, existe nessa casa tempo e lugar suficientes para todos.

Ali, sentada, aquela pessoa sente-se bem em sua casa. Reconhece como familiares os que vieram e vêm, que trouxeram e trazem, ficaram e ficam, partiram e partem. Sente como se completa o que estava inacabado, percebe como uma luta termina e a despedida se torna possível. Aguarda ainda o momento oportuno. Depois abre os olhos, olha outra vez em torno de si, levanta-se e parte.

Um novo olhar para a mesma vida!

 

Quem já não pensou em olhar para o primeiro marido sem dor, nem rancor. Finalmente, perdoar o pai ou a mãe, pelos conflitos de uma questão difícil. Quem já não pensou em aceitar a morte com mais leveza. E ampliar a consciência a respeito de si mesmo, lidando de uma outra forma com culpas, angústias e inseguranças. Quem já não se questionou sobre sua autoridade interna e quis um lugar melhor ao sol? Os caminhos para a solução dos principais desafios da alma humana já foram amplamente estudados pela moderna psicologia analítica, mas ganham novas perspectivas de cura, a partir dos conceitos do teraupeuta alemão, Bert Hellinger estruturados sistemicamente através das Constelações Familiares.

A prática, difundida na Europa, possui ampla bibliografia traduzida e diversos profissionais adeptos no Brasil. Em Florianópolis, uma das expoentes desse trabalho, a terapeuta Evanilde Torres, conduz sete grupos em Florianópolis e um em Garopaba, com o principal objetivo apresentar como os conceitos de Hellinger produzem um movimento à serviço da solução dos conflitos, da reconciliação com o outro e com o eu e da compreensão de que atrás de mágoas e ressentimentos está o amor.

“O mesmo amor que machuca, que é cego é o amor cura”, explica, Evanilde que complementa: “Trata-se de encontrar os recursos que nos colocam nesse novo caminho, para colocar as coisas em ordem, de incluir o foi excluído, expulso ou esquecido, percebendo nossas relações de um outro jeito. É como se passássemos a olhar a vida através das lentes de um óculos 3D”.

Ela explica que as Constelações possibilitam encontrar soluções antes impossíveis, porque o trabalho permite ao cliente um “distanciamento seguro” da própria realidade, como se ele estivesse na plateia de sua vida. Ver a mesma coisa, com novas ferramentas, e encontrar a conexão perdida, o fio da meada. “As vezes ficamos presos à noção de certo e errado. Nossa consciência nos deixa certos, porém estamos vazios. Precisa fazer sentido. E esse sentido é único para cada um”, diz.

Sobre a Evanilde Torres

Natural de Florianópolis, Evanilde Torres, é terapeuta, facilitadora de Constelações Familiares, especialista em desenvolvimento humano e palestrante. Facilitadora de Pathwork, em formação. Realiza também atendimentos individuais em consultório, ministra palestras e cursos. Todos os projetos e ações da terapeuta estão reunidos em EvaConstelar – terapia e desenvolvimento humano.