OS LIMITES DA INOCÊNCIA

Da série – Um NOVO OLHAR para a mesma vida – de Evanilde Torres

No diálogo abaixo, que narra o desconforto de um cliente sobre o destino de seu pai, Bert Hellinger mostra que muitas vezes somos imbuídos pela nossa alma de agir de forma tal, que sejamos vistos como “agressores” ou “perpretadores do mau” pelo senso comum. Entretanto, o destino reserva diferentes tarefas para cada ser humano. E é sempre possível um NOVO OLHAR para o que comumente julgamos como errado ou ruim.

Confira!

Jonas: Nos últimos dez anos fui me aproximando de meu pai e descobri um amor maravilhoso. A partir dessa confiança ele me contou que durante a guerra, quando tinha vinte e poucos anos, deixou-se colocar, durante três semanas, como vigia diante de um campo de concentração. Pensar nisso, para mim, é o mesmo que caminhar sobre o fio de uma espada, e quero fugir dessa pensamento.

Bert Hellinger: Não é verdade que ele deixou-se colocar! Teve de colocar-se!

Jonas: Não posso aceitar meu pai nesse lugar.

Bert Hellinger: Você não tem o direito de julgar isso. Há algum tempo, assisti a uma reportagem de televisão. Uma poeta ioguslava queria, de qualquer maneira, que se levantasse um monumento a um soldado alemão. Ele tinha sido destacado por um pelotão de fuzilamento para executar um grupo de combatentes da resistência, mas recusou-se a apontar sua arma, passou para o lado dos combatentes e deixou-se fuzilar com eles.

Agora o que se pode dizer dele? Seu gesto foi bom ou mau? O que foi que ele fez? Esquivou-se ao seu próprio destino. Ele poderia ter atirado, dizendo a si mesmo: “Estou enredado no meu grupo e eles no seu. O destino se pôs de tal forma que sou eu quem tenho que fuzilá-los e não eles a mim. Eu digo sim a esse destino, sejam quais forem as consequências”. Essa atitude teria grandeza. Imaginar que escolhendo morrer posso escapar de meu destino, é uma solução fácil. Você precisa levar em conta que seu pai estava numa situação semelhante e isso não diz respeito a você. Você não tem o direito de achar isso nem bom, nem mau. Nem uma coisa, nem outra.

Jonas: Estou vendo mais claro!

Bert Hellinger: Então você também tem grandeza e respeito pelos poderes do destino.

__ Bert Hellinger, em “Ordens do Amor”

A Procura

A procura essencial, a mais profunda, é a nossa procura por compreensão, pelo conhecimento essencial que é, no final, a única coisa que importa. Apenas esse conhecimento permanece, apenas esse conhecimento une, apenas esse conhecimento é amor.

Nessa procura somos guiados. Uma força nos carrega para onde nunca poderíamos ir por conta própria. Para onde nos leva afinal? Ela nos guia para cima ou para baixo? Sempre para baixo, para o lugar onde estamos conectados a tudo, conectados com amor.

Apenas, embaixo, juntos com muitos e todos, olhamos para cima, olhamos para frente e, juntos, achamos o caminho para aquilo que nos transcende, infinitamente além de nós. Somente lá encontramos a paz sem procura, pois somos levados, levados de forma segura, cientes de forma segura.

O que nos distrai dessa procura? Quando procuramos esse conhecimento e essa condução em outro lugar, quando procuramos por outras mãos que nos guiem, quando procuramos por um conhecimento passageiro.

Assim sendo, no final, estamos sozinhos nessa procura e nesse caminho, embora andemos junto com muitos outros – sozinhos com essa força, com esse espírito, sem procurar por outro conhecimento e outra condução.

Essa procura e essa força nos levam a ações, ações de amor, ações que conectam muitas pessoas. Embora estejamos nesse amor, embora estejamos em todo o amor, permanecemos nele guiados, amplamente guiados, profundamente guiados, solitariamente guiados, plenamente guiados.

A procura e o encontro tornam-se uma unidade. O amor e o conhecimento tornam-se uma unidade. Aqui a alegria e o sofrimento tornam-se uma unidade. Aqui o tomar e o deixar formam uma unidade – e aqui início e fim formam uma unidade, pois tudo permanece.

__ Bert Hellinger, sobre o movimento de entrega à grande alma que nos conduz, em “A Procura”, texto disponível na obra “O amor do espírito”.

 

O Pecado

Frequentemente, o que se chama pecado é apenas o que resulta quando algo maior toma posse de mim e me arranca de algo menor que me puxava noutra direção. Em nossas imagens internas, o pecado se liga ao desejo sexual, à irreparável perda da inocência e à perda do paraíso da infância, onde tínhamos tudo sem necessidade de agir. Agora, perdida a inocência, precisamos lavrar o solo com nossas mãos e desejar o que nos traz, simultaneamente, o prazer e a dor – e filhos.

Assim, se consideramos os resultados, o pecado supera de muito a inocência. Contrapondo-se a ela, é ele que realmente impele, produz, exige e cresce. Ele é poderoso, dinâmico, humilde e próximo da terra. O medo do pecado é um medo infantil e faz parte do próprio pecado, na medida em que esse envolve despedida e separação. Esse medo só dura quando olhamos para trás. Quem olha para frente, assume o pecado e se torna livre e grande através dele.

Todavia, desde o pecado original fantasiamos, muitas vezes, um novo paraíso, uma nova segurança – por exemplo, quando nos apaixonamos e sonhamos com uma felicidade nova e permanente, mas o sonho dura apenas até que o próximo pecado destrua o paraíso, impondo a todos os envolvidos um novo começo.

Visto por esse ângulo, o que pode igualar o pecado, em força e grandeza? Comparado à inocência, é ele que mais se aproxima do divino.

__ Bert Hellinger, em “Pensamentos a Caminho”.

Honrar a mãe como fonte de vida e sucesso

O Nascimento

O primeiro e decisivo sucesso em nossa vida é o nascimento. O seu êxito se dá melhor e mais consistentemente quando empurramos o caminho para a luz com o nosso próprio esforço, sem intervenção externa. Aqui tivemos que provar a nossa capacidade de ser assertivos e nos afirmar. Este sucesso continua a nos apoiar ao longo da vida. A partir desta experiência ganhamos mais tarde a força para nos afirmarmos com sucesso.

Eu já consegui ir tão longe? O que essa conquista tem a ver com o sucesso profissional? Será mesmo que o nosso sucesso na vida mais tarde depende deste primeiro sucesso? Como as pessoas que vieram ao mundo através da cesariana, ou foram puxadas para a vida com um fórceps se comportam mais tarde? Ou se elas vieram muito cedo e, em seguida, tiveram que  passar semanas ou mesmo meses em uma incubadora? Como agem em relação à autoconfiança e à assertividade? Claro que os efeitos destas experiências iniciais podem ser ultrapassados posteriormente, ao menos parcialmente. E nós também podemos ganhar forças especiais com elas mais tarde, como acontece com qualquer dificuldade ou fardo. Ainda assim, estes eventos apresentam limitações e se transformam em desafios capazes de serem superados por nós uma vez que suas raízes sejam compreendidas. Desta forma, podemos ser capazes de compensar o que foi perdido, ou mesmo recuperá-lo de alguma outra forma, muitas vezes com a ajuda de outros.

Ir ao encontro e tomar a nossa mãe

O próximo evento decisivo e o próximo sucesso é o movimento em direção à nossa mãe,  agora como contrapartida a nos oferecer o seu peito e a nos alimentar. Ganhamos a vida dela novamente com o seu leite, desta vez do lado de fora.  Qual é a qualidade do sucesso  aqui que nos prepara para os futuros sucessos, tanto na vida como no trabalho? Ao tomar a mãe como a fonte de nossa vida, com tudo o que flui através dela para nós, tomamos nossa própria existência; na medida em que tomamos a nossa mãe, aceitamos nossa vida como um todo. Este tomar é ativo. Precisamos sugar para seu leite fluir. Precisamos chamar para que ela venha. Precisamos nos alegrar com o que ela nos dá e mostrar isso ao mundo.  Através dela nos tornamos mais ricos.Mais tarde na vida vemos que aqueles que tiveram sucesso pleno tomaram sua mãe exatamente assim, e tornaram-se felizes e vitoriosos. Em geral, como nos relacionamos com a nossa mãe é como nos relacionamos com a vida, incluindo aí a vida profissional. Se nós rejeitamos a nossa mãe, nós também rejeitamos a vida e o trabalho. E, na mesma medida, trabalho e a vida nos rejeitam. Seguindo este mesmo movimento, as pessoas felizes em relação à sua mãe amam o trabalho e a vida. E assim como sua mãe dá a elas cada vez mais, à medida que dela tomam com amor, com a mesma intensidade, sua vida e seu trabalho dar-lhes-ão sucesso.

Aqueles que têm reservas sobre suas mães, também têm reservas sobre a vida e a felicidade. Assim como suas mães se retiram deles como resultado de suas reservas e da rejeição, a vida e o sucesso se retiram também.

Onde nosso sucesso começa? Ele começa com a nossa mãe. Como o sucesso chega a nós? Quando nossa mãe é bem-vinda e quando a honramos como nossa mãe, o sucesso chega.

__ Bert Hellinger, em “Êxito na vida, êxito na profissão”.

A Benevolência

“Ser benevolente com os outros é um movimento de amor. Sentimos essa benevolência de diversas maneiras. Por um lado, de ser humano para ser humano, principalmente, entre o homem e a mulher que desejam permanecer juntos pela vida inteira. A benevolência recíproca une-os de forma feliz.

Também podemos ser benevolentes com aqueles que permaneceram estranhos para nós. A benevolência supera o alheio, sem que tenhamos que transcender essa postura interna de benevolência, por exemplo, indo ao encontro dessas pessoas. A benevolência por si só, já nós aproxima.

Aprendemos e exercitamos a benevolência de forma abrangente quando entramos em sintonia com os movimentos do espírito que movimenta tudo da maneira como é, que quer tudo da maneira como é, que pensa tudo da maneira como é. Esse espírito é voltado para tudo com benevolência, tal como ele pensa e movimenta.

Quando entramos em ressonância com esses movimentos, quando somos tocados e levados por eles, então também experimentamos em nós mesmos, a dedicação a tudo como é, com benevolência por tudo.

É essa benevolência a mesma que existe de ser humano para ser humano? Trata-se de uma benevolência espiritual, uma benevolência em sintonia com os movimentos do espírito.

Essa benevolência é, em primeiro lugar, uma benevolência em concordância com tudo da maneira como é, também com aquilo que causa medo em nós e em outras pessoas. Por isso, é, no fundo, a concordância com os movimentos do espírito, da maneira como ele movimenta tudo! Então essa concordância direciona-se, em primeiro lugar, para esse espírito da maneira como ele movimenta tudo, e, apenas em segundo lugar, em direção àquilo que ele movimenta. Independentemente do que o espírito movimentar, primeiro olhamos para ele e somente junto com ele olhamos para o que ele movimenta. Assim sendo, mantemos uma distância daquilo que ele move, uma distância que renuncia a qualquer intenção própria.

Portanto, nossa benevolência permanece sem intenções. Deixa tudo e todos onde pertencem, movendo-se na direção para onde encontram e cumprem o seu destino. Ao mesmo tempo, permanecemos também no nosso devido lugar onde nos movimentamos, onde nosso destino foi determinado e será cumprido, movimentado por esse espírito, da maneira como ele quer”.

__ Bert Hellinger, em “O Amor do Epírito”.

Comunidade de destino

“Existe uma bela melodia que se chama: “Liberdade que penso, que preenche o meu coração”. Uma vez escrevi com relação a isso um pequeno aforismo: o cavalo, que pressente o ar da liberdade, cai imediatamente na cilada”. Quando é que respiramos mais o ar da liberdade? Quando nos apaixonamos. E qual é a cilada? É algo pequeno? Ou é algo grande? É algo poderoso é, por assim dizer a comunidade do destino.

Nós somos, do jeito que somos, o destino para outros. E outros se tornam, do jeito que são e porque são do jeito que são, o nosso destino. Talvez vejamos isso de maneira mais intensa no relacionamento de casal. Por que nos sentimos tão atraídos um pelo outro? Nós nem o conhecemos . Contudo, já existe uma comunidade de destino – isto é, entre aquilo que aconteceu entre a minha família e aquilo que ainda deve ser colocado em ordem, talvez até muitas gerações atrás – e seu destino e aquilo que talvez ainda tenha que ser colocado em ordem em sua família, muitas gerações atrás.

Somente aquele que respeita todos os destinos da mesma maneira pode saber das forças poderosas que atuam além do bom e do mau. Aquele que as olha e eventualmente é atingido por elas deixa-se ser tomado a serviço delas”.

__ Bert Hellinger, sobre a Comunidade de Destino disponível em “Ordens da Ajuda”.

Benção

“A benção vem de cima e flui para baixo. Ela vem para nós a partir de alguém que está acima de nós. Primeiro são os nossos pais. Quando os pais abençoam seus filhos estão profundamente ligados ao fluxo da vida. A sua benção acompanha a vida que passaram aos seus filhos. Como a vida, a benção também vai para muito além dos pais. Como a vida, a benção é também passar adiante algo sagrado que nós mesmos já recebemos primeiro.

A benção é um sim para a vida. Ela a proteje, multiplica-a, acompanha-a. Ela libera o abençoado e o deixa com o que é seu, em sua plenitude. A benção e a plenitude fluem através deles a outros: por exemplo, a um parceiro, aos próprios filhos e aos amigos. E flui para uma ação que apóia a própria vida de uma forma abrangente e poderosa”

__ Bert Hellinger, em “Ordens da Ajuda”.

Sobre viagens, inspiração, movimento, deslealdade, consciência pesada e mudanças

Já disse uma vez que não viajo para conhecer lugares, mas para encontrar pessoas. Viajo para conhêce-las. Para observá-las como tesouros a serem desvendados.

Nessa tentativa, sempre há a alegria dos encontros e há também encontros com a alegria. Há surpresas, imprevistos e sobretudo, movimento. Cores novas, sons diferentes, novas esquinas e caminhos convidativos.
Observar como outras pessoas vivem e conduzem suas vidas pode enriquecer as nossas.
É quase como se assim, na observação de como o outro faz, pudéssemos nos colocar em dúvida. E na dúvida há movimento. Diferente da certeza que engessa, a dúvida abre possibilidades, é melódica e sinuosa como seu próprio ponto (?) – de interrogação! De investigação!
Por isso, sair da rotina faz a gente pensar…… é inspiração! Ao deixar o conhecido, o sabido, o-já-visto-tantas-vezes, uma porção de ar novo e uma vontade de expandir e ampliar nos são automaticamente presenteadas.
Vontade que mistura-se com outra vontade: de ver a vida acontecer.
Desejo de ser a vida acontecendo.
Ganas de ser a via da vida. O canal pelo qual, ela, a grande força, jorra vitalidade e energia.
Daí, a satisfação de poder ousar e arriscar movimentarmo-nos quando, talvez, a prescrição mais usual é permanecer. Quando o estático convida muito mais que o dinâmico. Quando a inércia grita por manutenção e a vontade de ficar parece tão mais normal. E aparece ostensivamente com um convite sedutor de permanência.
Convite, que por mais sedutor que seja, contrasta com a lição básica de sobrevivência que instintivamente nos impele à impermanência e à mobilidade.
Movimento e criatividade andam junto conosco quando saímos por aí, “de camisa listrada” no inverno ou no verão, de mãos dadas com alguém ou sozinhos. Longe ou perto de casa.
Sentimos isso no corpo e na alma. Na mente! Tantas vontades e projetos!
São, estes, então, os momentos oportunos para revisarmos e revisitarmos nossas posturas diante da vida. Uma linda chance. Ideal para assumirmos novos compromissos com os nossos destinos.
Chance para avaliarmos nossas oportunidades de ousar na desconstrução de protocolos, dos manuais, das já reincidentes fórmulas. Aquelas fórmulas que nos neurotizam e trazem a sensação da repetição, de que tudo acontece mais uma vez, mesmo quando tentamos fazer diferente. Aquela repetição que faz sentir mais uma vez a dor, velha conhecida, herdada. A dor da qual necessitamos nos libertar, para deixar mais possibilidades de sucesso para quem vem depois de nós.
Para isso, no entanto, precisamos decidir-nos pela deslealdade ao que quer permanecer estagnado, parado, que refuta o movimento.
Falo aqui da temida decisão pela desleal consciência pesada! A consciência pesada que pode ser a grande oportunidade de amadurecimento, já que somente às crianças fica reservado o direito à inocência.
A deslealdade sagrada, que respeita tudo que foi do jeito que foi, mas pede autorização para fazer diferente.
Deslealmente motivados, reverente e respeitosamente, nos posicionamos, olhamos para nossos ancestrais e dizemos: “Por favor, queridos, me olhem com bons olhos se eu faço diferente!”
Dessa forma, podemos “viajar”, voar como se fôssemos pássaros, mudar, fazer e refazer, porque quem estiver lá, atrás de nós, nos olha com alegria e entusiasmo e nos diz: “Segue! Eu lhe libero. Toma a sua vida e faz dela algo de muito bom, para que assim a dor já sentida tenha valido a pena!”

Boas viagens! Bons movimentos! Boas mudanças!

Os Jogadores

Experimentamos a consciência, às vezes, como se ela fosse um indivíduo único. Entretanto, na maioria dos casos, ela mais se assemelha a um grupo onde diversos representantes perseguem diferentes objetivos, com a ajuda de diferentes sentimentos de inocência e culpa, e procuram se impor de diferentes maneiras. Nisso, eles se apóiam ou se questionam mutuamente, pelo bem do todo; não obstante, mesmo quando se contrapõe, servem a um ordem superior. À semelhança de um general que, em diversas frentes, com diferentes tropas, em terrenos diversos, com diferentes meios e táticas, busca diferentes êxitos, essa ordem faz com que, pelo bem de um todo maior, em cada frente só se obtenham êxitos parciais. Por essa razão só se consegue a inocência em parte.

Assim na maioria das vezes, culpa e inocência comparecem juntas. Quem procura agarrar a inocência toca também a culpa, e quem é inquilino da culpa encontra a inocência como sublocatária. A a culpa e a inocência também trocam trajes com muita frequência, de modo que a culpa vem vestida de inocência, e vice-versa. Então as aparências enganam e só os efeitos mostram o que é real.

Vou lhes contar uma história a respeito.

Os jogadores

Eles se apresentam como adversários. Então se sentam frente a frente e jogam no mesmo tabuleiro, com diferentes figuras e complicadas regras, lance por lance, o mesmo jogo real.

Ambos sacrificam a seu jogo, diversas figuras e tensos se mantém em xeque, até que o movimento cessa. Quando não há mais saída, a partida termina. Então trocam de lado e de cor e recomeça o mesmo jogo, apenas uma outra partida.

Mas quem joga muito tempo, e muitas vezes ganha, e muitas vezes perde, torna-se, em ambos os lados, um mestre.

__ Bert Hellinger, em “No Centro Sentimos Leveza”.

Sobre o Destino: o Amor Fatal

O destino vai ao nosso encontro com todos os seres humanos com os quais nos relacionamos. Cada um fica sendo para nós, o destino. E nós para ele. Portanto, amor fatal significa que eu amo cada destino que vem ao meu encontro através do outro, porque me enriquece através dele, me desafia e me toca, como também o destino que enriquece o outro através de mim, o desafia e muitas vezes também o toca. Através disso todo encontro com outros seres humanos fica sendo mais do que um simples encontro entre ele e eu. Torna-se um encontro de destinos, que atuam através dele e através de mim: que causa felicidade ou dor, a serviço do crescimento ou da limitação, dando a vida ou tirando-a.

Portanto, o amor fatal é o último amor, que exige o último, que dá o último e toma o último. Nele crescemos para alem de nós.

O que isso significa individualmente?

Se um outro do meu ponto de vista, quer fazer algo mau, terrível, não importa de qual maneira, a minha primeira reação a isso é que eu quero fazer algo de mau para ele e penso numa compensação, no sentido de vingança. Mas se olho para ele como sendo levado pelo seu destino e reconheço que este destino se torna também o meu destino através dele, então não me coloco mais perante a ele apenas como um ser humano. Eu encaro o destino e o amo. Nesse momento me submeto a um poder fatal, me deixo tocar por ele, fico purificado das coisas mesquinhas, fico tocado e fico no amor em tudo.

Inversamente posso me tornar para o outro, de alguma forma, em destino que fere, que o limita e que o obriga à despedida e separação. Então resisto à sensação que age por egoísmo ou desejos maldosos, porque estou entregue ao destino dele e meu. Eu também preciso amar este destino como ele é e fico assim através desse destino puro e com a mesma validade.

Quem ama seu destino assim, seu próprio e o do outro e sabe que ele sempre se tornará em próprio destino para ele para mim, está em sintonia com tudo como é. Está tanto conectado quanto direcionado porque é um amor fatal, o seu amor tem grandeza e força.

__ Bert Hellinger, em Ordens da Ajuda