“Todo ser vivo morre, enquanto vive. Ele só pode viver porque, em diversos níveis, algo morre nele. Um animal só sobrevive porque come a planta, que assim, morre. E um outro animal só sobrevive se mata e devora aquele.

Também em nós, para que a vida continue, algo precisa estar sempre morrendo, abrindo espaço para algo novo, talvez também para algo maior.

O mesmo acontece no decurso da vida. O que veio antes cede lugar ao que cede lugar ao que vem depois: a infância à juventude, a juventude à união estável, à paternidade ou maternidade à responsabilidade daí decorrente. A responsabilidade cessa quando os pais conferem independência aos filhos. Finalmente, nossa vida cede lugar à morte e ao que, talvez nos aguarde depois dela.

Jesus, na Bíblia, resumiu isso numa parábola: se o grão de trigo não morre, ele não dá fruto.

Por conseguinte, o morrer pertence, desde o início, à vida. É um pressuposto da vida, uma parte dela. Por isso, só pode viver aquele que aceita morrer e que, finalmente, morre.

Para quem entende e vive isso, a morte é apenas uma continuação do morrer e, simultaneamente, uma continuação da vida; não, talvez, da minha própria vida, mas da vida que se renova a cada morte e que, porque morre, também permanece.

__ Bert Hellinger, em “Pensamentos a Caminho”.

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