A Procura

A procura essencial, a mais profunda, é a nossa procura por compreensão, pelo conhecimento essencial que é, no final, a única coisa que importa. Apenas esse conhecimento permanece, apenas esse conhecimento une, apenas esse conhecimento é amor.

Nessa procura somos guiados. Uma força nos carrega para onde nunca poderíamos ir por conta própria. Para onde nos leva afinal? Ela nos guia para cima ou para baixo? Sempre para baixo, para o lugar onde estamos conectados a tudo, conectados com amor.

Apenas, embaixo, juntos com muitos e todos, olhamos para cima, olhamos para frente e, juntos, achamos o caminho para aquilo que nos transcende, infinitamente além de nós. Somente lá encontramos a paz sem procura, pois somos levados, levados de forma segura, cientes de forma segura.

O que nos distrai dessa procura? Quando procuramos esse conhecimento e essa condução em outro lugar, quando procuramos por outras mãos que nos guiem, quando procuramos por um conhecimento passageiro.

Assim sendo, no final, estamos sozinhos nessa procura e nesse caminho, embora andemos junto com muitos outros – sozinhos com essa força, com esse espírito, sem procurar por outro conhecimento e outra condução.

Essa procura e essa força nos levam a ações, ações de amor, ações que conectam muitas pessoas. Embora estejamos nesse amor, embora estejamos em todo o amor, permanecemos nele guiados, amplamente guiados, profundamente guiados, solitariamente guiados, plenamente guiados.

A procura e o encontro tornam-se uma unidade. O amor e o conhecimento tornam-se uma unidade. Aqui a alegria e o sofrimento tornam-se uma unidade. Aqui o tomar e o deixar formam uma unidade – e aqui início e fim formam uma unidade, pois tudo permanece.

__ Bert Hellinger, sobre o movimento de entrega à grande alma que nos conduz, em “A Procura”, texto disponível na obra “O amor do espírito”.

 

O Pecado

Frequentemente, o que se chama pecado é apenas o que resulta quando algo maior toma posse de mim e me arranca de algo menor que me puxava noutra direção. Em nossas imagens internas, o pecado se liga ao desejo sexual, à irreparável perda da inocência e à perda do paraíso da infância, onde tínhamos tudo sem necessidade de agir. Agora, perdida a inocência, precisamos lavrar o solo com nossas mãos e desejar o que nos traz, simultaneamente, o prazer e a dor – e filhos.

Assim, se consideramos os resultados, o pecado supera de muito a inocência. Contrapondo-se a ela, é ele que realmente impele, produz, exige e cresce. Ele é poderoso, dinâmico, humilde e próximo da terra. O medo do pecado é um medo infantil e faz parte do próprio pecado, na medida em que esse envolve despedida e separação. Esse medo só dura quando olhamos para trás. Quem olha para frente, assume o pecado e se torna livre e grande através dele.

Todavia, desde o pecado original fantasiamos, muitas vezes, um novo paraíso, uma nova segurança – por exemplo, quando nos apaixonamos e sonhamos com uma felicidade nova e permanente, mas o sonho dura apenas até que o próximo pecado destrua o paraíso, impondo a todos os envolvidos um novo começo.

Visto por esse ângulo, o que pode igualar o pecado, em força e grandeza? Comparado à inocência, é ele que mais se aproxima do divino.

__ Bert Hellinger, em “Pensamentos a Caminho”.

Honrar a mãe como fonte de vida e sucesso

O Nascimento

O primeiro e decisivo sucesso em nossa vida é o nascimento. O seu êxito se dá melhor e mais consistentemente quando empurramos o caminho para a luz com o nosso próprio esforço, sem intervenção externa. Aqui tivemos que provar a nossa capacidade de ser assertivos e nos afirmar. Este sucesso continua a nos apoiar ao longo da vida. A partir desta experiência ganhamos mais tarde a força para nos afirmarmos com sucesso.

Eu já consegui ir tão longe? O que essa conquista tem a ver com o sucesso profissional? Será mesmo que o nosso sucesso na vida mais tarde depende deste primeiro sucesso? Como as pessoas que vieram ao mundo através da cesariana, ou foram puxadas para a vida com um fórceps se comportam mais tarde? Ou se elas vieram muito cedo e, em seguida, tiveram que  passar semanas ou mesmo meses em uma incubadora? Como agem em relação à autoconfiança e à assertividade? Claro que os efeitos destas experiências iniciais podem ser ultrapassados posteriormente, ao menos parcialmente. E nós também podemos ganhar forças especiais com elas mais tarde, como acontece com qualquer dificuldade ou fardo. Ainda assim, estes eventos apresentam limitações e se transformam em desafios capazes de serem superados por nós uma vez que suas raízes sejam compreendidas. Desta forma, podemos ser capazes de compensar o que foi perdido, ou mesmo recuperá-lo de alguma outra forma, muitas vezes com a ajuda de outros.

Ir ao encontro e tomar a nossa mãe

O próximo evento decisivo e o próximo sucesso é o movimento em direção à nossa mãe,  agora como contrapartida a nos oferecer o seu peito e a nos alimentar. Ganhamos a vida dela novamente com o seu leite, desta vez do lado de fora.  Qual é a qualidade do sucesso  aqui que nos prepara para os futuros sucessos, tanto na vida como no trabalho? Ao tomar a mãe como a fonte de nossa vida, com tudo o que flui através dela para nós, tomamos nossa própria existência; na medida em que tomamos a nossa mãe, aceitamos nossa vida como um todo. Este tomar é ativo. Precisamos sugar para seu leite fluir. Precisamos chamar para que ela venha. Precisamos nos alegrar com o que ela nos dá e mostrar isso ao mundo.  Através dela nos tornamos mais ricos.Mais tarde na vida vemos que aqueles que tiveram sucesso pleno tomaram sua mãe exatamente assim, e tornaram-se felizes e vitoriosos. Em geral, como nos relacionamos com a nossa mãe é como nos relacionamos com a vida, incluindo aí a vida profissional. Se nós rejeitamos a nossa mãe, nós também rejeitamos a vida e o trabalho. E, na mesma medida, trabalho e a vida nos rejeitam. Seguindo este mesmo movimento, as pessoas felizes em relação à sua mãe amam o trabalho e a vida. E assim como sua mãe dá a elas cada vez mais, à medida que dela tomam com amor, com a mesma intensidade, sua vida e seu trabalho dar-lhes-ão sucesso.

Aqueles que têm reservas sobre suas mães, também têm reservas sobre a vida e a felicidade. Assim como suas mães se retiram deles como resultado de suas reservas e da rejeição, a vida e o sucesso se retiram também.

Onde nosso sucesso começa? Ele começa com a nossa mãe. Como o sucesso chega a nós? Quando nossa mãe é bem-vinda e quando a honramos como nossa mãe, o sucesso chega.

__ Bert Hellinger, em “Êxito na vida, êxito na profissão”.