A Benevolência

“Ser benevolente com os outros é um movimento de amor. Sentimos essa benevolência de diversas maneiras. Por um lado, de ser humano para ser humano, principalmente, entre o homem e a mulher que desejam permanecer juntos pela vida inteira. A benevolência recíproca une-os de forma feliz.

Também podemos ser benevolentes com aqueles que permaneceram estranhos para nós. A benevolência supera o alheio, sem que tenhamos que transcender essa postura interna de benevolência, por exemplo, indo ao encontro dessas pessoas. A benevolência por si só, já nós aproxima.

Aprendemos e exercitamos a benevolência de forma abrangente quando entramos em sintonia com os movimentos do espírito que movimenta tudo da maneira como é, que quer tudo da maneira como é, que pensa tudo da maneira como é. Esse espírito é voltado para tudo com benevolência, tal como ele pensa e movimenta.

Quando entramos em ressonância com esses movimentos, quando somos tocados e levados por eles, então também experimentamos em nós mesmos, a dedicação a tudo como é, com benevolência por tudo.

É essa benevolência a mesma que existe de ser humano para ser humano? Trata-se de uma benevolência espiritual, uma benevolência em sintonia com os movimentos do espírito.

Essa benevolência é, em primeiro lugar, uma benevolência em concordância com tudo da maneira como é, também com aquilo que causa medo em nós e em outras pessoas. Por isso, é, no fundo, a concordância com os movimentos do espírito, da maneira como ele movimenta tudo! Então essa concordância direciona-se, em primeiro lugar, para esse espírito da maneira como ele movimenta tudo, e, apenas em segundo lugar, em direção àquilo que ele movimenta. Independentemente do que o espírito movimentar, primeiro olhamos para ele e somente junto com ele olhamos para o que ele movimenta. Assim sendo, mantemos uma distância daquilo que ele move, uma distância que renuncia a qualquer intenção própria.

Portanto, nossa benevolência permanece sem intenções. Deixa tudo e todos onde pertencem, movendo-se na direção para onde encontram e cumprem o seu destino. Ao mesmo tempo, permanecemos também no nosso devido lugar onde nos movimentamos, onde nosso destino foi determinado e será cumprido, movimentado por esse espírito, da maneira como ele quer”.

__ Bert Hellinger, em “O Amor do Epírito”.

Comunidade de destino

“Existe uma bela melodia que se chama: “Liberdade que penso, que preenche o meu coração”. Uma vez escrevi com relação a isso um pequeno aforismo: o cavalo, que pressente o ar da liberdade, cai imediatamente na cilada”. Quando é que respiramos mais o ar da liberdade? Quando nos apaixonamos. E qual é a cilada? É algo pequeno? Ou é algo grande? É algo poderoso é, por assim dizer a comunidade do destino.

Nós somos, do jeito que somos, o destino para outros. E outros se tornam, do jeito que são e porque são do jeito que são, o nosso destino. Talvez vejamos isso de maneira mais intensa no relacionamento de casal. Por que nos sentimos tão atraídos um pelo outro? Nós nem o conhecemos . Contudo, já existe uma comunidade de destino – isto é, entre aquilo que aconteceu entre a minha família e aquilo que ainda deve ser colocado em ordem, talvez até muitas gerações atrás – e seu destino e aquilo que talvez ainda tenha que ser colocado em ordem em sua família, muitas gerações atrás.

Somente aquele que respeita todos os destinos da mesma maneira pode saber das forças poderosas que atuam além do bom e do mau. Aquele que as olha e eventualmente é atingido por elas deixa-se ser tomado a serviço delas”.

__ Bert Hellinger, sobre a Comunidade de Destino disponível em “Ordens da Ajuda”.

Benção

“A benção vem de cima e flui para baixo. Ela vem para nós a partir de alguém que está acima de nós. Primeiro são os nossos pais. Quando os pais abençoam seus filhos estão profundamente ligados ao fluxo da vida. A sua benção acompanha a vida que passaram aos seus filhos. Como a vida, a benção também vai para muito além dos pais. Como a vida, a benção é também passar adiante algo sagrado que nós mesmos já recebemos primeiro.

A benção é um sim para a vida. Ela a proteje, multiplica-a, acompanha-a. Ela libera o abençoado e o deixa com o que é seu, em sua plenitude. A benção e a plenitude fluem através deles a outros: por exemplo, a um parceiro, aos próprios filhos e aos amigos. E flui para uma ação que apóia a própria vida de uma forma abrangente e poderosa”

__ Bert Hellinger, em “Ordens da Ajuda”.

Sobre viagens, inspiração, movimento, deslealdade, consciência pesada e mudanças

Já disse uma vez que não viajo para conhecer lugares, mas para encontrar pessoas. Viajo para conhêce-las. Para observá-las como tesouros a serem desvendados.

Nessa tentativa, sempre há a alegria dos encontros e há também encontros com a alegria. Há surpresas, imprevistos e sobretudo, movimento. Cores novas, sons diferentes, novas esquinas e caminhos convidativos.
Observar como outras pessoas vivem e conduzem suas vidas pode enriquecer as nossas.
É quase como se assim, na observação de como o outro faz, pudéssemos nos colocar em dúvida. E na dúvida há movimento. Diferente da certeza que engessa, a dúvida abre possibilidades, é melódica e sinuosa como seu próprio ponto (?) – de interrogação! De investigação!
Por isso, sair da rotina faz a gente pensar…… é inspiração! Ao deixar o conhecido, o sabido, o-já-visto-tantas-vezes, uma porção de ar novo e uma vontade de expandir e ampliar nos são automaticamente presenteadas.
Vontade que mistura-se com outra vontade: de ver a vida acontecer.
Desejo de ser a vida acontecendo.
Ganas de ser a via da vida. O canal pelo qual, ela, a grande força, jorra vitalidade e energia.
Daí, a satisfação de poder ousar e arriscar movimentarmo-nos quando, talvez, a prescrição mais usual é permanecer. Quando o estático convida muito mais que o dinâmico. Quando a inércia grita por manutenção e a vontade de ficar parece tão mais normal. E aparece ostensivamente com um convite sedutor de permanência.
Convite, que por mais sedutor que seja, contrasta com a lição básica de sobrevivência que instintivamente nos impele à impermanência e à mobilidade.
Movimento e criatividade andam junto conosco quando saímos por aí, “de camisa listrada” no inverno ou no verão, de mãos dadas com alguém ou sozinhos. Longe ou perto de casa.
Sentimos isso no corpo e na alma. Na mente! Tantas vontades e projetos!
São, estes, então, os momentos oportunos para revisarmos e revisitarmos nossas posturas diante da vida. Uma linda chance. Ideal para assumirmos novos compromissos com os nossos destinos.
Chance para avaliarmos nossas oportunidades de ousar na desconstrução de protocolos, dos manuais, das já reincidentes fórmulas. Aquelas fórmulas que nos neurotizam e trazem a sensação da repetição, de que tudo acontece mais uma vez, mesmo quando tentamos fazer diferente. Aquela repetição que faz sentir mais uma vez a dor, velha conhecida, herdada. A dor da qual necessitamos nos libertar, para deixar mais possibilidades de sucesso para quem vem depois de nós.
Para isso, no entanto, precisamos decidir-nos pela deslealdade ao que quer permanecer estagnado, parado, que refuta o movimento.
Falo aqui da temida decisão pela desleal consciência pesada! A consciência pesada que pode ser a grande oportunidade de amadurecimento, já que somente às crianças fica reservado o direito à inocência.
A deslealdade sagrada, que respeita tudo que foi do jeito que foi, mas pede autorização para fazer diferente.
Deslealmente motivados, reverente e respeitosamente, nos posicionamos, olhamos para nossos ancestrais e dizemos: “Por favor, queridos, me olhem com bons olhos se eu faço diferente!”
Dessa forma, podemos “viajar”, voar como se fôssemos pássaros, mudar, fazer e refazer, porque quem estiver lá, atrás de nós, nos olha com alegria e entusiasmo e nos diz: “Segue! Eu lhe libero. Toma a sua vida e faz dela algo de muito bom, para que assim a dor já sentida tenha valido a pena!”

Boas viagens! Bons movimentos! Boas mudanças!