Em paz!

À luz de Bert Hellinger, na perspectiva das Constelações Familiares, a terapeuta EvanildeTorres, explica: “Nada pode ser mais libertador do que a percepção de que não se está sozinho num conflito. Primeiro, pela própria perspectiva da consciência, que age em sintonia com um sistema de referência anterior. Depois, porque essa perspectiva nos coloca em amarga culpa ou doce inocência, no desejo de pertencer. A boa notícia é que esses critérios nossos são tão diversos que a dor que sentimos em culpa é a mesma inocência que faz o outro encontrar a paz.

E sobre a paz, Hellinger, diz que a reconciliação mais abrangente é possível quando somos capazes de nos olharmos como seres da mesma espécie, com os mesmos direitos e a mesma dignidade. Estamos em paz, quando, enfim, nos sentimos iguais – nem mais, nem menos. Iguais em essência diante uns dos outros e pequenos diante do imenso.

E não há culpa, quando se é pequeno diante do imenso!

Carta para Artur

Querido Artur, não havia planejado escrever, mas 10 horas em um aeroporto podem ser inspiradoras!

A viagem? Foi boa! Não há turbulência que desperte alguém cuja excitação pré-viagem não permitiu uma simples hora de sono, não é mesmo? Você sabe bem do que estou falando…. Você se lembra daquela viagem para Morretes na nossa adolescência? Você não conseguiu pregar o olho na noite anterior à viagem e depois deixou de aproveitar a maravilhosa paisagem vista da janela do trem e a ótima companhia ao seu lado. Quase desisti de tentar lhe conquistar!

Bem, de tudo que vivi nessas horas de aeroporto-avião- aeroporto o mais interessante é o que vou contar para você agora ainda sem saber exatamente qual o significado desta cena que tanto me ocupou e mobilizou. É claro que meu espírito observador e meu coração apaixonado pelas pessoas me fez imediatamente sucumbir à curiosidade de acompanhar com o olhar uma família no primeiro minuto que coloquei meus pés e as rodinhas da minha mala no Aeroparque Jorge Newbery – o aeroporto de voos domésticos próximo ao centro de Buenos Aires, onde embarcarei às 17h para Neuquén. Uma hora e meia de ônibus separa este aeroporto do Aeroporto Internacional de Ezeiza. Investi 50 pesos e ganhei 90 minutos de passeio pela capital dos queridos hermanos.

Voltemos à família. No momento em que meus olhos deram o primeiro passeio pelo saguão, vi um jovem pai falando enfaticamente com sua pequena filha. Senti-me imediatamente capturada pela cena. E, aí, de novo, com um sentimento bem conhecido, percebi, como muito comumente acontece, que somente eu me interessava pelo assunto. Todos os outros que estavam à volta, em um saguão super movimentado, continuaram a fazer o que estavam fazendo e eu segui o pai e a pequena filha, não sem antes notar a presença da mãe e de outra menina, a filha mais velha.

O pai saiu puxando a menina pela mão, gritando com ela e para minha surpresa e minha total comoção, inesperadamente, deu duas palmadas na pequena. Pronto! Fui atrás! Segui-os, ou melhor, segui o pai que empurrava a menina que havia cometido algum deslize que eu ainda não descobrira qual era e que o enfurecera. Pude, no entanto, entender o pai perguntar à menina: “Donde está?” Mais uma palmada! Oops… para sorte da pequena e de toda a família e, naquela altura, até para a minha sorte, a mochila estava lá, no mesmo local onde a criaturinha de cabelos crespos havia deixado, provavelmente, em um impulso de descansar os frágeis ombrinhos, pequenos e ainda não treinados a carregar pesos. Mochila verde recolocada nos ombros …e  mais uma palmada! Pronto! Começamos a chorar. Eu e a dona do bumbum espancado. Olhei para a mãe, esperando que ela intercedesse, para as outras pessoas e ninguém parecia sequer registrar a cena. Atentos à cena somente eu, o pai e a crespinha que saiu andando na frente do pai em direção à mãe para escapar da situação e com certeza esperançosa em colocar um ponto final no episódio. Esperança infundada! O pai não se satisfizera ainda e a fera dentro dele se manifestou novamente! Pimba! Mais uma palmada – dessa vez sem a pequena esperar e ela deu um grito de susto. Talvez de dor. Talvez de vergonha. Ou uma mistura de tudo isso. Minhas lágrimas pingaram. Olhei para o pai. Ele havia parado e a menina estava grudada nas pernas dele, com a cabeça enterrada nos jeans, tentando, parecia, se desculpar. Ele ficou imóvel, olhar perdido, como se estivesse contemplando algo muito distante, a esposa e a outra filha acompanhando a cena e eu imobilizada por uma súbita dor. A dor de uma menininha. A dor de um jovem pai.  A dor do susto. Do inusitado. Do imprevisto. Olhei novamente para o pai e sofri com ele. Senti no olhar dele a dor da frustração de não saber lidar com o imprevisto de uma mochila perdida. Olhei para a crespinha e sofri com ela.  Pude ler no seu pequeno corpo a dor de não ser capaz de alcançar o peso da responsabilidade de cuidar de uma mochila. Imediatamente, me dei conta de que minhas lágrimas iam além daquela situação. Era uma dor maior que me atingia sem que eu pudesse me proteger dela. Meu sofrimento parecia ser um reflexo do sofrimento de muitos pais e mães que em algum momento bateram em seus filhos e de muitos filhos e filhas que em algum momento apanharam dos seus pais. Sofria pelas circunstâncias em que essas situações acontecem. Fiquei imaginando a alegria daquela família ao sair de casa para uma viagem mais cedo naquela manhã e de como tudo se modificara em razão de um esquecimento cometido por alguém sem ferramentas internas para entender a responsabilidade de cuidar uma mochila.

A família sumiu do meu campo de visão. Fiquei com as lágrimas e com a reflexão dos pequenos equívocos cometidos em momentos de desatenção e dos grandes efeitos que eles podem ter nas nossas vidas. Fiquei imaginando a filha, anos mais tarde, adulta, contando a um amigo a dor sentida neste dia e a tristeza de ter sido a causa do nervosismo paterno e imaginei também o pai velhinho, talvez com olhar ainda perdido, sem entender a razão pela qual se sente tão só, se questionando por onde andam suas filhas queridas. Minha imaginação foi longe fantasiando situações que poderão povoar a vida daquela família em decorrência daquele episódio. E, com certeza, também compreendi que tudo aquilo poderia não ter passado de um episódio igual àquele que Marina Colassanti descreve belamente em um dos seus textos que conta a estória de um menino que olha cobiçadamente uma vitrine de doces apenas para ensinar as pessoas que passam algo sobre compaixão, pois, de fato, não era um menino, mas um anjo. Um anjo! Em uma esquina qualquer, como muitos outros anjos que estão ao nosso redor para uma rápida lição sem que nos demos conta.  Sinto, meu amor, que aquela pequena era um anjo a me ensinar algo que ainda não sei exatamente o que é.  Talvez algo sobre compaixão ou sobre o inusitado. E, você sabe como cheguei a essa conclusão? Os cabelos! Sim! Os cabelos crespos dela foram a pista deixada para que eu descobrisse sua verdadeira identidade.

Foi disso, querido, que minha cabeça e meu coração se ocuparam neste dia de início de primavera. Menina de cabelos crespos e sua família. Mochila verde e o peso da responsabilidade. Anjos de cabelos crespos soltos por aí! Sozinha, no saguão do aeroporto, pensei em sementes. Em sementes plantadas conscientemente e em sementes plantadas sem atenção e desejei que todas aquelas que eu plantar durante este período de viagem se consolidem em bons frutos capazes de me nutrir e manter minha esperança sempre viva. Fico por aqui, querido. Me despeço já com saudade.

“Hasta luego e um besito”. Te quero muito e te quero muito bem!

Sua,

Eva

Para amar é preciso pertencer e incluir!

Perceber todas as atitudes humanas como uma expressão infinita de amor! As constelações familiares facilitadas pela terapeuta Evanilde Torres, à luz de Bert Hellinger, produzem um movimento à serviço da solução de conflitos, da reconciliação com o(s) outro(s) e com o eu. Fazer as pazes com a vida e com o seu próprio destino de um lugar bem honesto e inteiro do próprio ser. Poder compreender que escondido atrás de mágoas e ressentimentos está o amor. O mesmo amor que machuca, que é cego é o amor cura! “Trata-se de encontrar esse novo caminho, para colocar as coisas em ordem, de perceber nossas relações com um novo olhar”, conta Evanilde, que compara: “É como se olhásssemos para a vida através das lentes de um óculos 3D”.

E esse olhar diferente de colocar em ordem, na perspectiva de Hellinger, não pressupõe a existência do certo e do errado. Para além dos julgamentos morais, o que há é uma consciência pessoal, orquestrada por uma conscência grupal e espiritual, que nos move, e move nossas atitudes, pontua nossos relacionamentos e nos faz sentir pertencentes ou excluídos. “Pertencer é tudo o que se precisa. É preciso pertencer e incluir para alcançar o amor”, ensina Evanilde. Ela explica que as constelações permitem encontrar soluções antes impossíves, porque o trabalho permite um distanciamento seguro da própria realidade. Ver a mesma coisa, com novos recursos, e encontrar a conexão perdida, o fio da meada . “As vezes ficamos presos à noção de certo e errado. Nossa consciência nos deixa certos, porém estamos vazios. Precisa fazer sentido para a alma de quem constela. E esse sentido é único para cada um”, diz.

Grupo aberto de Constelações Familiares, com Eva Torres e Bruno Goulart

Você já conhece os movimentos sistêmicos como prática terapêutica?

Venha conhecer a atuação dos profissionais Eva Torres e Bruno Goulart em grupo aberto de Constelações Familiares, uma técnica que possibilita a solução dos conflitos, a partir de um lugar de reconciliação e inclusão de todos os envolvidos. Propicia a cura, a expansão e uma nova forma de se conectar com a vida!

Sábado, dia 17, às 9h, na “Nossa Casa – Saberes Sistêmicos” – Rua Ver. Frederico Veras, n° 140, Pantanal, Florianópolis – SC.

Investimento:
Para Constelar: R$ 320,00
Para participar e/ou representar: R$ 40,00
*Constelações somente mediante agendamento prévio.
Informe-se em +55 48 99969.6861 | +55 48 99960.2822

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Sempre tem #maisvida